Quem é Kamala Harris?

Sou mulher. Sei o que é ter de dar mais provas de que sou boa em algo, porque sou mulher. Conheço as injustiças atrozes que as mulheres sofrem nas sociedades misóginas que ainda existem no mundo.

Por isso, quis começar o meu blog falando-vos da atual vice-presidente dos Estados Unidos da América. Não só por ser mulher. Não só por ser a primeira vice-presidente dos EUA negra e filha de imigrantes. Não só por ser um “murro no estômago” daqueles que ainda julgam que o género ou a cor da pele podem ditar o rumo de alguém.

Kamala Harris é uma referência, enquanto pessoa e enquanto profissional. Ter ficado a saber mais sobre ela inspirou-me e tenho a certeza que também vos vai inspirar a vocês. Não escondo que sou um pouco feminista, mas a minha admiração por esta figura vai muito além de uma questão de género. 

Portanto, gostava de partilhar convosco algumas informações sobre ela que me marcaram particularmente.

 

 

Origens

Começando pelas suas origens, Kamala Harris é filha de mãe indiana e pai jamaicano. É uma afro-americana, nascida em Oakland, na Califórnia. Como os seus pais se divorciaram, Kamala viveu a maior parte dos anos com a irmã e com a mãe, investigadora na área do cancro e ativista pelos direitos civis.

Uma frase que me sensibilizou foi uma das que a mãe de Kamala disse às filhas:

Nunca deixem que alguém vos diga quem são. Digam-lhes vocês quem são! (“Don’t let anybody tell you who you are, you tell them who you are”).

Tão simples e tão certo, não acham?

Talvez por isso, com apenas 13 anos, Kamala liderou uma manifestação contra o proprietário de um prédio de Montreal, no Canadá, onde vivia com a mãe, porque ele proibiu as crianças de brincarem no jardim. Nessa idade, ela já tinha aprendido o inconformismo saudável que a mãe lhe tinha ensinado quando lhe dizia:

Não te sentes a queixar das coisas. Faz algo! (Don’t sit around and complain about things, do something”).

Formação e carreira

Mais tarde, Kamala Harris frequentou a Universidade Howard, em Washington, D.C. e estudou Direito na Universidade da Califórnia, em Hastings. 

Começou a sua carreira na Procuradoria de Alameda, onde também fez história, tendo-se tornado, em 2003, a primeira Procuradora-Geral negra em São Francisco

Ficou ainda conhecida pelas perguntas incisivas que não temeu fazer nas comissões do Senado, onde foi a primeira mulher com ascendência asiática a entrar. Aí enfrentou grandes bancos e defendeu o povo trabalhador, as mulheres e as crianças vítimas de abuso. Algo que também achei incrível e digno de nota. 

Um dos objetivos políticos de Kamala é reformar a justiça criminal dos EUA. Contudo, durante a campanha de Biden, ela também alertou para a necessidade de desconstruir o racismo estrutural no país, algo que no meu ponto de vista deve e precisa de ser feito a nível mundial.

 

Vida pessoal

Na esfera mais íntima e privada, Kamala Harris manteve a sua vida pessoal distante dos holofotes e do escrutínio público até que, em 2013, conheceu, por intermédio de uma amiga, o advogado Douglas Emhoff, com quem veio a casar em 2014, numa cerimónia civil, num tribunal de Santa Bárbara, na Califórnia.

Uma história de amor tocante pela sua simplicidade, pela sua espontaneidade e pela forma como Kamala considera o seu marido “o tal” (“the one”).

“Momala”

Um pormenor delicioso tem a ver com as enteadas de Kamala Harris. Emhoff tem duas filhas de um anterior casamento, atualmente já adultas. Quando crianças, ambas criaram para a vice-presidente americana um nome super carinhoso, que une a palavra mom (mamã) ao nome Kamala, o que resulta em Momala, forma que usam para tratar a vice-presidente americana.

A propósito disso mesmo, durante um evento de campanha com Joe Biden em Wilmington (Delaware), Kamala revelou que já teve muitos títulos ao longo da sua carreira, mas que o de Momala será sempre o mais importante para si. Uma prova de que esta é, acima de tudo, uma mulher de afetos!

Uma inspiração

No primeiro discurso, depois de ter sido anunciada a vitória de Biden, Kamala afirmou que é a primeira mulher vice-presidente dos EUA, mas que não será a última.

“I may be the first woman to hold this office. But I won’t be the last”.

Na minha opinião, com esta frase, Kamala abre portas ao empoderamento de todos aqueles que, em virtude do género, raça, orientação sexual, classe social ou outra condição, se sentem impossibilitados de alcançar certo cargo ou posto.

Por tudo isto, Kamala é um exemplo vivo e real de como é possível vingar, mesmo quando nos chamam de monstro ou quando simulam não conseguir dizer o nosso nome (momento protagonizado pelo ex-Presidente dos EUA, Donald Trump).

Em tempos em que os extremismos e os radicalismos parecem crescer um pouco por todo o mundo, histórias e testemunhos como os de Kamala devem ser mais divulgados para que nunca esqueçamos a importância da igualdade de oportunidades.

Espero que tenham gostado tanto quanto eu de descobrir mais sobre esta personagem que ainda vai marcar muito a história dos EUA e do mundo.

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